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Col. Pedro Calheiros

  O velho cedro plantado por Castilho, no aido do presbitério ocupado por seu irmão Augusto Frederico de Castilho, em Castanheira do Vouga, num dia de S. João ( Ver a nota que antecede o fragmento poético publicado em   O Presbitério da Montanha, intitulado "O São João nas faldas do Caramulo", p. 191). Castilho viveu nesta residência paroquial de 23 de Outubro de 1828 a 19 de Fevereiro de 1834, tendo lá voltado, de visita, em 1854 e 1863. Em 1983, Cândido Teles, o mais conhecido pintor da região, ainda pôde passar para um óleo sobre tabopan (61 x 41 ) uma imagem da centenária árvore, já doente, que as mãos do poeta carinhosamente ali plantaram. Entretanto, o cedro foi abatido e a madeira guardada até hoje - felizmente. Infelizmente, a Câmara Municipal de Águeda integrou no seu programa de celebração do bicentenário do nascimento de Castilho o fabrico de papeleiras !!! com a madeira recuperada para serem colocadas em lugares públicos. Porquê  empregar marceneiros, quando a celebração mais justificaria que se recorresse ao trabalho criativo de escultores? Estes restos do velho cedro, quase a perfazerem dois séculos de existência, poderiam ter uma mais nobre utilização. Não haverá escultores em Águeda , ou na região, ou no país, que pudessem dar forma artística às velhas tábuas, perenizando mais a sua conservação? Apodreceriam provavelmente muito mais devagar e teriam um destino muito mais visível e evocativo.
No óleo vêem-se ainda as traseiras do presbitério, a torre da igreja e os anexos do aido; hoje infelizmente coberto por uma chapa metálica,

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cuja instalação parece ter sido a causa do derrube do cedro centenário.
Além de tudo o que se refere a Castanheira do Vouga em  O Presbitério da Montanha, convém ter presente que, nessa aldeia do Caramulo, Castilho aí escreveu a Noite do Castelo, alguns poemas que posteriormente recolheu nas Escavações Poéticas, tendo ainda aí também traduzido as Metamorfoses de Ovídio.
Este quadro já foi exposto na Fundação Elíseo Pinheiro de Águeda, com um título diferente daquele que o pintor lhe atribuiu mais tarde. Primeiro chamou-se "Casa Rústica-Castanheira do Vouga", mas há uns três anos, quando o pintor o ofereceu ao seu actual proprietário intitulou-o "Casa do Tio de Castilho - Padre Augusto Frederico de Castilho" ( trata-se, na realidade, da casa do irmão que era prior de S. Mamede de Castanheira do Vouga ).  No  fundo, o título mais adequado seria "O Cedro  de Castilho", pois é  esse o tema central do quadro   (
Pedro Calheiros).