Mestrado em Estudos Clássicos

Teses defendidas

Maria Adriana São Marcos Sousa, Ciência e crenças populares nos De Medicina de Celso. Universidade de Aveiro, 2003.

 

Orientador: João Manuel Nunes Torrão

 

Resumo: Os De Medicina libri VIII de Aulus Cornelius Celsus constituem, juntamente com o Corpus Hipocrático e a vasta obra de Galeno, um dos testemunhos mais preciosos para a nossa compreensão da história médica do mundo antigo.

A perda substancial da inestimável literatura médica Alexandrina faz de Celso o testemunho cronologicamente mais próximo, ou mesmo único, de um período de intensa produção científica em geral e médica em particular, quer do ponto de vista da elaboração de doutrinas, quer de consciencialização deontológica, quer, ainda, de avanços técnicos, sempre acompanhados de um arreigado olhar crítico sobre tudo o que lhe subjaz, a tudo imprimindo o seu cunho pessoal. Basta-nos que à notória herança hipocrática e Alexandrina, Celso tenha adicionado uma boa dose de originalidade Romana, que não se resume ao óbvio da utilização da língua latina, mas passa também e principalmente, pelas marcas sociológicas e culturais Romanas que o autor harmoniosamente conseguiu imiscuir com a medicina Grega, não se acanhando de referir — apesar do forte espírito científico que se faz sentir desde o primeiro livro — práticas empíricas (mágicas, por vezes), testemunhos de uma medicina popular itálica, a medicina ao cargo do paterfamilias, a medicina povoada de ‘experts’ lado a lado com ‘carniceiros’ que se diziam médicos...

Numa época em que o renovado interesse pelas ‘medicinas paralelas’ abonam a favor das terapêuticas antigas, é com curiosidade que embarcamos na análise do que Celso, médico ou enciclopedista que seja, nos pode revelar, no que diz respeito à importância das relações entre médico e paciente, à necessidade de sempre considerar o bem-estar do doente, regimes alimentares, o papel do exercício físico (gestatio), variados medicamentos (de origem vegetal, animal ou mineral, com virtudes reconhecidas experiencial e dedutivamente), assim como sobre técnicas cirúrgicas para a maioria de nós, modernos, tidas como recentes.

 

 

Abstract: Aulus Cornelius Celsus De Medicina libri VIII, as well as the Hippocratic Corpus and Galen’s vast work, are undoubtedly one of the most precious legacies to mankind’s knowledge on medical history of the ancient world.

The substantial loss of the Alexandrian medical literature made Celsus the most recent, if not only, witness of an intense period of scientific production in general and medical in particular, whether concerning doctrine elaboration, deontological consciousness, or even technical advances, constantly revealing a critical look and stating his own opinion on any topic. Celsus added to this notorious Hippocratic and Alexandrian legacy a considerable amount of Roman originality, which cannot be reduced to the obvious use of the Latin language but, moreover, to the Roman social and cultural patterns, which the author harmoniously tangles into Greek medicine. Inspite of his strong sense of science, from the first book on, Celsus is generous on referring empirical practices, sometimes magical even, proof of a common Italian medical practice, a practice conducted by the paterfamilias, where so called ‘experts’ worked side by side with ‘butchers’, who saw themselves as doctors…

In a time where alternative medical practice tends to win over classical therapies, it is with great interest that we endeavour the analysis of what Celsus, whether doctor or encyclopaedist, reveals on the importance of doctor patient relationships, the need for constant concern on the patient’s well-being, nutrition, the role of physical exercise (gestatio), various medicine (vegetal, animal or mineral, of acknowledged experimental or deductive effectiveness) as well as surgical techniques, some of them taken as quite recent by most of us.

 

Área de Estudos Clássicos

Hit Counter