Mestrado em Estudos Clássicos

Teses defendidas

Paula Cristina Lourenço Branco, O pathos como elemento catártico na Medeia de Séneca. Universidade de Aveiro, 2001.

 

Orientador: Carlos de Miguel Mora

 

Resumo: O presente trabalho consiste numa reflexão sobre o mito de Medeia e na constatação da forma como, a partir da cristalização do mito, Eurípides e Séneca apresentam diferentes tratamentos com fim à realização da KAQARSIS trágica. O conceito de KAQARSIS será — numa primeira instância — analisado dentro de uma perspectiva teórica, tendo como referência Aristóteles. Posteriormente, já a um nível prático, tomamos a título de exemplo a trágica de Ésquilo, Sófocles, Eurípides e finalmente a de Séneca, de forma a interiorizar os distintos significados e valores atribuídos ao conceito de Destino e a perceber a importância daqueles no desenrolar da KAQARSIS das emoções junto do espectador. O confronto entre as duas tragédias de Medeia — euripidiana e senequiana — exige que tenhamos em consideração o motivo da queda da personagem. Em Eurípides, Medeia surge como uma vítima da moira decretada por Zeus; enquanto em Séneca, a protagonista apresenta-se consciente das suas acções pérfidas. Não encontramos uma moira implacável, mas antes uma atitude de insurreição perante os presentes que a fortuna ditou à heroína. A missão parenética, em Séneca, é muito mais contundente, em virtude de um discurso didáctico-moral, subjacente a um saber erudito que se prende com a corrente filosófica do estoicismo. A demonstração do pathos na Medeia de Séneca — em substituição da moira na Medeia de Eurípides — é realçada e fundamentada com base no argumento, na técnica teatral, no estilo e léxico que estarão ao serviço de uma clarificação sobre os efeitos nocivos da paixão — caso não se verifique a actualização da ratio — e vem justificar a impossibilidade da depuração de uma alma que não conhece a uirtus e é conduzida ao infanticídio.

 

Abstract: This essay presents a study about the Medea myth; it also presents evidence that, from the crystallization of the myth, Euripides and Seneca provide different kinds of treatments aiming the making of the tragic KAQARSIS. The KAQARSIS concept will be — on a first stage — analysed in a the perspective, having Aristotle as a reference. Afterwards, on a practical level, as an example, we will base ourselves on the tragic work of Aeschiles, Sophocles, Euripides and finally, Seneca in order to assimilate the different meanings and values that are given to the concept of Destiny and to realize their importance in what concerns the KAQARSIS of the emotions development within the spectator. The confrontation between the two Medea tragedies — the ones from Euripides and Seneca — demands us to take into consideration the reason why the character has fallen. With Euripides. Medea appears as a victim of the moira that has been decreed by Zeus; as for Seneca, the main characther presents herself conscious of her perfidy actions. Here, we don't ruthless a moira, we have, instead, an act of insurrection before those presents that the fortuna has given to the heroine. For Seneca. the parenetical mission is much more offensive because of a didactic and moral speech that is subjacent to an erudite knowledge connected to the philosophic tendency of stoicism. The demonstration of the pathos in the Seneca Medea — replacing the moira in the Euripides Medea — has its enhancement and grounds based on the script, on the theatrical technique, on the style and on the lexicon that will be serving the explanation of the harmful effects of passion — if the ratio isn’t updated — and justifies the impossibility of purification of a soul that doesn’t know the uirtus  and that is driven to the infanticide.

 

Área de Estudos Clássicos

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