Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999)

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Índice

Mensagem do Reitor 7
João Manuel Nunes Torrão, Pórtico 9
Maria Helena da Rocha Pereira, Paisagem real e paisagem espiritual em alguns poetas portugueses contemporâneos 11
Jacyntho Lins Brandão, O narrador no romance grego 31
Maria deFátima Sousa e Silva, Os caminhos da honra e do amor ou O corpo de Helena de Paulo José Miranda 57
Carlos Morais, A gramática de Grego de João Jacinto de Magalhães no contexto da reforma pombalina 75
Arnaldo do Espírito Santo, A estética barroca do Latim da Clavis Prophetarum do P. António Vieira 105
Carlos de Miguel Mora, As leituras dos humanistas: fontes secundárias de Manuel da Costa 133
António Andrade, Demonstrativos e [ana]fóricos em Latim 155
Resumos (português, español, français, english) 173
   
Recensões 191
Notícias 225

 

Resumos:

 

Maria Helena Rocha Pereira (Universidade de Coimbra), Paisagem real e paisagem espiritual da Grécia em alguns poetas portugueses contemporâneos: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999)        11-30

 

 

[Português] Entre os poetas portugueses contemporâneos que se inspiraram na Grécia antiga, a autora escolheu quatro: Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre e José Augusto Seabra. O estudo aborda dois temas específicos: a paisagem espiritual, muitas vezes em contraste com a do presente e ainda a beleza da paisagem real e dos monumentos. Embora possuam estilos bastante diferentes, estes poetas têm todos em comum a sua admiração pela Grécia que constitui para eles uma pátria intelectual onde nasceu o ideal de justiça, de liberdade, de sabedoria e de beleza.

 

 

 

[Español] Entre los poetas portugueses contemporáneos que se inspiraron en la antigua Grecia la autora escoje cuatro: Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre y José Augusto Seabra. El estudio aborda dos temas específicos: el paisaje espiritual, muchas veces en contraste con el del presente, y la belleza del paisaje real de los monumentos. Aunque poseen estilos bastante diferentes, estos poetas tienen todos en común su admiración por Grecia, que constituye para ellos una patria intelectual donde nació el ideal de justicia, de libertad, de sabiduría y de belleza.

 

 

 

[Français] Parmi les poètes portugais contemporains qui se sont inspirés de la Grèce ancienne, l’auteur en choisit quatre: Sophia de Melo Breiner, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre e José Augusto Seabra. L’étude porte sur deux thèmes précis: le paysage spirituel, souvent en contraste avec celui du présent, ou bien la beauté du paysage réel et des monuments. Quoiqu’ayant des styles assez différents, ces poètes ont tous en commun leur admiration pour la grèce, qui est pour eux une partie intellevtuelle, celle où est né l’idéal de justice, de liberté, de sagesse et de beauté.

 

 

 

[English] Among the contemporary Portuguese poets who were inspired by ancient Greece, the author has selected four: Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre and José Augusto Seabra. This study focuses on two specific themes: the spiritual landscape, often contrasting with that of the present, as well as the beauty of  both the real landscape and the monuments. Despite displaying quite different styles, these poets all share their admiration for Greece which for them epitomises an intellectual motherland where the ideals of justice, freedom, wisdom and beauty were born.

 

 

 


 

 

Jacyntho Lins Brandão (Universidade Federal de Minas Gerais), O narrador no romance grego: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999) 31-56

 

 

 

[Português] Este trabalho propõe uma classificação das estratégias de apresentação e de representação do narrador no romance grego antigo, enfatizando três aspectos: a diversidade de soluções; como se transformam processos ensaiados em gêneros anteriores; como se avança no sentido de explicitar o caráter ficcional do texto, entendido o romance como uma narrativa de ficção em prosa. De início, são abordadas as fórmulas de apresentação do narrador, desenvolvidas sobretudo a partir dos títulos, proêmios e epílogos dos historiadores, as quais constituem uma espécie de nível zero de representação, uma vez que não distinguem o narrador do autor (nesta categoria classificam-se os narradores de As Efesíacas, Quéreas e Calírroe, Dáfnis e Cloé e, talvez, também de As Babilônicas; num primeiro nível, é o que se observa ainda em As Etiópicas). Em seguida abordam-se as estratégias de representação propriamente dita, comportanto os seguintes tipos: 1) as personagens narradoras que, de acordo com o modelo homérico, se responsabilizam por narrativas enquadradas, controladas pelo narrador principal, identificado com o autor (cujos principais exemplos estariam em As Etiópicas e As coisas incríveis além da Tule); 2) o narrador representado, cuja narrativa extrapola o enquadramento inicial, desenrolando-se autonomamente (o que se encontra em Leucipe e Clitofonte); 3) o narrador-personagem, cuja narrativa, em primeira pessoa, se apresenta diretamente ao leitor sem qualquer tipo de enquadramento, não estabelecendo distinções entre narrador e personagem (como acontece em Lúcio ou o asno), ou mesmo entre autor, narrador e personagem (como em Das narrativas verdadeiras).

 

 

 

[Español] Este trabajo propone una clasificación de las estrategias de presentación del narrador en la novela griega antigua, destacando tres aspectos: la diversidad de soluciones; cómo se transforman procesos ensayados en géneros anteriores; cómo se avanza en el aspecto de explicitar el carácter ficcional del texto, entendida la novela como una narrativa de ficción en prosa. Al principio se abordan las fórmulas de presentación del narrador, desarrolladas sobre todo a partir de los títulos, proemios y epílogos de los historiadores, fórmulas que constituyen una especie de nivel cero de representación, dado que no distinguen al narrador del autor (en esta categoría se clasifican los narradores de Las Efesíacas, Quéreas y Calírroe, Dafnis y Cloe y tal vez también de Las Babilónicas; en un primer nivel, es lo que se obseva aún en Las Etiópicas). A continuación se abordan las estrategias de representación propiamente dicha, abarcando los siguientes tipos: 1) los personajes narradores que, de acuerdo con el modelo homérico, se responsabilizan de narrativas encuadradas, controladas por el narrador principal, identificado con el autor (cuyos principales ejemplos estarían en Las Etiópicas y en Las maravillas de más allá de Tule); 2) el narrador representado, cuya narrativa extrapola el encuadramiento inicial, desarrollándose autónomamente (lo que se encuentra en Leucipe y Clitofonte); 3) el narrador-personaje, cuya narrativa, en primera persona, se presenta directamente al lector sin ningún tipo de encuadramiento, sin establecer distinciones entre narrador y personaje (como sucede en Lucio o el asno), o incluso entre autor, narrador y personaje (como en los Relatos verídicos).

 

 

 

[Français] Nous nous proposons, dans ce travail, d'effectuer une classification des stratégies de présentation et de représentation du narrateur dans le roman grec ancien, en insistant sur trois aspects: la diversité de solutions; la manière dont se transforment des processus expérimentés dans des genres antérieurs; la façon d’avancer afin d'expliciter le caractère fictionnel du texte, le roman étant considéré comme un récit de fiction en prose. De prime abord, nous aborderons les formules de présentation du narrateur, développées surtout à partir des titres, des prologues et des épilogues des historiens, celles-ci constituant une espèce de niveau zéro de représentation, dans la mesure où elles ne distinguent pas le narrateur de l'auteur (dans cette catégorie nous pouvons classifier les narrateurs de Les Éphésiaques, Chéréas et Callirhoè, Daphnis et Chloé et, peut-être aussi de Récits babyloniens; à un tout premier niveau, c'est ce que nous observons aussi dans Les Éthiopiques). Ensuite, nous abordons les stratégies de représentation proprement dites, dont font partie les types suivants: 1) les personnages narrateurs qui, selon le modèle homérique, sont responsables des récits enchâssés, contrôlés par le narrateur principal, identifié avec l'auteur (dont les principaux exemples se retrouveraient dans Les Éthiopiques et Merveilles d’au‑delà de Thulè); 2) le narrateur représenté, dont le récit extrapole l'enchâssement initial, se développant de façon autonome (ce que nous retrouvons dans Aventures de Leucippe et de Clitophon); 3) le narrateur-personnage, dont le récit, à la première personne, se présente directement au lecteur sans aucun type d'enchâssement, sans établir de distinctions entre narrateur et personnage (comme dans L’âne ou Lucius), ou bien encore entre auteur, narrateur et personnage (comme dans Histoire véritable.

 

 

 

[English] In this study the author suggests a classification of the strategies of presentation and representation of the narrator in ancient Greek romance by highlighting three aspects: the variety of solutions used; how processes which were attempted in previous genres have been transformed, how the fictional dimension of the text is made explicit, considering the romance to be a fictional prose narrative. Firstly, the formulas used for the presentation of the narrator are analysed, especially the historians’ titles, proems and epilogues which constitute a zero degree of representation since no distinction is made between the narrator and the author (in this category we can include the narrators of Ephesiaca, Story of Chaereas and Callirrhoe, Daphnis and Chloe and, probably, Babylonica; to some extent the same strategy is used in Aethiopica). Afterwards the strategies of representation are analysed according to the following categories: 1) narrating characters who, in accordance with the Homeric model, are responsible for framed narratives, manipulated by the main narrator who is identified with the author (the most important examples being Aethiopica and The wonderful things beyond Thule); 2) dramatized narrators whose narrative transcends the initial frame and is developed autonomously (as found in Clitophon and Leucippe); 3) character narrators whose first person narrative is directly presented to the reader without any frame or any distinction being made between the narrator and the character (as in Lucius or the Ass), or even between the author, the narrator and the character (as in A True History).

 

 

 


 

 

Maria de Fátima Sousa e Silva (Universidade de Coimbra), Os caminhos da honra e do amor ou O corpo de Helena de Paulo José Miranda: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999) 57-74

 

 

 

[Português] Com O corpo de Helena, Paulo José Miranda regressa, naquele que é o primeiro drama que publica, ao mito dos Atridas. Ao retomar o famosos tema da lenda de Micenas, o dramaturgo português usa de grande liberdade temática e formal, sem deixar, no entanto, de valorizar conceitos vitais na tragédia grega: o conflito entre a physis  e nomos — a natureza e a convenção social —, a inutilidade da guerra e o tempo como o responsável principal pela efemeridade da vida humana. A grande inovação é, decerto, a figura de Menelau, agora o verdadeiro protagonista, coberto do heroísmo que advém da dúvida e da aceitação da própria fragilidade: “Menelau, o que não foi à guerra e, prostrado em casa e pensamentos, desafiou os deuses”.

 

 

 

[Español] Con O corpo de Helena, Paulo José Miranda regresa, en el que es su primer drama publicado, al mito de los Atridas. Al retomar el famoso tema de la leyenda de Micenas, el dramaturgo portugués se sirve de una gran libertad temática y formal, sin dejar, sin embargo, de valorizar conceptos vitales en la tragedia griega: el conflicto entre la physis y el nomos –la naturaleza y la convención social–, la inutilidad de la guerra y el tiempo como principal responsable de la brevedad de la vida humana. La gran innovación es indudablemente la figura de Menelao, ahora el verdadero protagonista, cubierto del heroísmo que proviene de la duda y de la aceptación de la propia fragilidad: “Menelao, el que no fue a la guerra e, postrado en casa y en pensamientos, desafió a los propios dioses”.

 

 

 

[Français] Avec Le corps d’Hélène, Paulo José Miranda revient, dans ce premier drame qu’il publie, au mythe des Atrides. En reprenant le fameux thème de la légende de Mycènes, le dramaturge portugais use d’une grande liberté thématique et formelle, sans cesser, toutefois, de valoriser des concepts essentiels à la tragédie grecque: le conflit entre la physis et le nomos - la nature et la convention sociale -, l'inutilité de la guerre et le temps comme principal responsable du caractère éphémère de la vie humaine. La grande innovation est, certainement, la figure de Ménélas, le désormais véritable protagoniste, couvert de l'héroïsme né du doute et de l'acceptation de la fragilité même: "Ménélas, celui qui ne fut point à la guerre et, prostré au foyer et dans les pensées, qui défia les dieux".

 

 

 

[English] With O Corpo de Helena, Paulo José Miranda returns, in his first published play, to the myth of the Atridas. By recuperating the famous theme of the Micenas legend, the Portuguese playwright uses both formal and thematic freedom, while still emphasizing vital concepts from the Greek tragedy: the conflict between physis and nomos– nature and social convention–, the purposelessness of war and time as the main cause for the transience of human life. The fundamental innovation is surely the character of Menelaos who now becomes the true protagonist, enveloped in the heroism that derives from the doubt and acceptance of his own frailty: “Menelaos, the one who didn’t go to war and, overthrown in home and thoughts, has challenged the gods.”

 

 


 

 

Carlos Morais (Universidade de Aveiro), A gramática de Grego de João Jacinto de Magalhães no contexto da Reforma Pombalina: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999) 75-103

 

 

 

[Português] Natural de Aveiro, João Jacinto de Magalhães (1722-1790), foi uma figura grada e polifacetada da segunda metade do séc. XVIII, um ‘eterno desterrado’, que repartiu a sua intensa actividade pelas cidades de Coimbra (fase monástica e de formação humanística e científica), Paris (fase de tradutor e de humanista) e Londres (fase de experimentalista e de divulgador das ciências exactas, a que mais o notabilizou).

Neste artigo, o autor pretende dar a conhecer uma obra da segunda fase – o Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na Lingoa Portugueza, para uzo das novas escolas de Portugal…(Paris/Lisboa 1760) – uma gramática traduzida, adaptada e simplificada das gramáticas de Lancelot e de Furgault e recomendada pela Refoema Pombalina de Estudos Menores (1759), que ficou na história do ensino como a primeira gramática de Grego impressa em língua portuguesa.

 

 

 

[Español] Natural de Aveiro, João Jacinto de Magalhães (1722-1790) fue una figura ilustre y de múltiples facetas de la segunda mitad del siglo XVIII, un “eterno desterrado” que repartió su intensa actividad entre las ciudades de Coimbra (fase monástica y de formación humanística y científica), París (fase de traductor y de humanista) y Londres (fase de experimentador y divulgador de las ciencias exactas, la que más renombre le dio).

En este artículo el autor pretende dar a conocer una obra de la segunda fase — el Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal… (París/Lisboa 1760) —, una gramática traducida, adaptada y simplificada de las gramáticas de Lancelot y de Furgault y recomendada por la Reforma Pombalina de Estudios Menores (1759) que quedó en la historia de la enseñanza como la primera gramática de griego impresa en lengua portuguesa.

 

 

 

[Français] Natif d'Aveiro, João Jacinto de Magalhães (1722-1790) fut une illustre personnalité, aux facettes multiples, de la deuxième moitié du XVIIIe siècle, un "éternel exilé", qui répandit son intense activité dans les villes de Coimbra (phase monastique et de formation humaniste et scientifique), de Paris (phase de traducteur et d'humaniste) et de Londres (phase d'expérimentateur et de divulgateur des sciences exactes, celle qui lui conféra sa plus grande notoriété). 

Dans cet article, l'auteur prétend faire connaître une oeuvre de la deuxième phase - le Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugeza, para uso das novas escolas de Portugal... (Paris/Lisboa 1760) -, une grammaire traduite, adaptée et simplifiée des grammaires de Lancelot et de Furgault et recommandée par la Réforme du Marquis de Pombal de Études Secondaires (1759), qui resta dans l'histoire de l'enseignement comme la première grammaire du Grec imprimée en langue portugaise.

 

 

 

[English] Born in Aveiro, João Jacinto de Magalhães (1722-1790), was a renowned versatile personality who lived in the second half of the 18th century, a “perpetual expatriate” who developed his intense activity in the cities of Coimbra (during the monastic phase and  his humanistic and scientific education), Paris (during his phase as a translator and humanist) and London (during his phase as an experimentalist and researcher in the field of exact sciences, the one that earned him greater reputation).

In this article, the author, by correcting some mistakes which have been handed down by tradition, intends to bring to light one of the author’s works written during the second phase– the Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal… (Paris/Lisboa 1760)– which is a translation, adaptation and simplification of Lancelot’s and Furgault’s grammars and which was recommended by the Marquis of Pombal’s Secondary Education Reform (1759), thus remaining in the history of education as the first Greek grammar printed in the Portuguese language.

 

 

 


 

 

Arnaldo do Espírito Santo (Universidade de Lisboa), A estética barroca do Latim da Clavis Prophetarum do P. António Vieira: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999) 105-131

 

 

 

[Português] A Clavis Prophetarum, a ser publicada brevemente pela Biblioteca Nacional de Lisboa, estava inacabada e editorialmente inconclusa à data da morte do seu autor, Padre António Vieira. Ao ser organizada uma cópia enviada para Roma em 1699, e ao ser feito em Lisboa (1714) um parecer sobre o original, que redundou também na organização do texto para ser editado, foram acrescentadas frases introdutórias breves, com que se pretendia estabelecer conexão entre as várias partes. Do estudo do estilo do latim de Vieira deduzem-se critérios que tornam possível identificar e isolar os núcleos acrescentados. Vieira escreve em latim com o mesmo fulgor e com o mesmo «discurso engenhoso», com o mesmo estilo barroco que utiliza nos seus sermões em português. Publicam-se excertos do texto da Clavis, no original e em tradução.

 

 

 

[Español] La Clavis Prophetarum, que será publicada en breve por la Biblioteca Nacional de Lisboa, se encontraba inacabada y editorialmente inconclusa en el momento de la muerte de su autor, el Padre António Vieira. Al organizarse una copia enviada a Roma en 1699 y al elaborarse en Lisboa (1714) un parecer sobre el original, que afectó también a la organización del texto para ser editado, se añadieron frases introductorias breves con que se pretendía establecer una conexión entre las diferentes partes. Del estudio del latín de Vieira se deducen criterios que permiten identificar y aislar los núcleos añadidos. Vieira escribe en latín con el mismo fulgor y con el mismo «discurso ingenioso», con el mismo estilo barroco que utiliza en sus sermones en portugués. Se publican extractos del texto de la Clavis, en su original y en traducción.

 

 

 

[Français] La Clavis Prophetarum, actuellement en voie de publication par la Bibliothèque Nationale de Lisbonne, se trouvait inachevée et son édition incomplète à la date de la mort de son auteur, le Père António Vieira. Après l’organisation d’une copie, envoyée à Rome en 1699, et d’un avis critique sur l’original, en 1714 à Lisbonne, original que nous retrouvons dans l’organisation du texte à éditer, de brèves phrases introductrices furent ajoutées afin d’établir une liaison entre les différentes parties. L’étude du style du latin de Vieira nous permet de déduire les critères qui aident à identifier et à isoler les fragments ajoutés. Vieira écrit en latin avec le même éclat et la même «finesse de discours», avec le même style baroque qu’il utilisait dans ses sermons en portugais. Nous publions donc des extraits du texte Clavis, d’après l’original et d’après la traduction.

 

 

 

[English] The Clavis Prophetarum, soon to be published by the National Library in Lisbon, was left incomplete and its edition was not concluded by the time its author , Father António Vieira, died. When a copy was sent to Rome in 1699 and when a statement about the original was issued in Lisbon (1714) which led to the organization of the text having in view its edition, some brief introductory sentences connecting its several sections were added. From the analysis of the style of Vieira’s Latin some criteria may be inferred, making it possible to identify and isolate the sections which were subsequently added. Vieira uses the Latin language with the same brilliancy and “ingenious discourse”, with the same baroque style which he uses in his Portuguese sermons. Some excerpts from the Clavis text are published, both in the original and in translation.

 

 

 


 

 

Carlos de Miguel Mora (Universidade de Aveiro), As leituras dos humanistas: fontes secundárias de Manuel da Costa: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999) 133-154

 

 

 

[Português] Tem-se repetido inúmeras vezes que a produção poética latina no Portugal renascentista carece de obras épicas, ainda que o ambiente cultural da época parecesse, de certa maneira, exigir um poema que cantasse as glórias dos descobrimentos. Embora esta afirmação seja certa em sentido estrito, é preciso relativizá-la, dado que existem composições poéticas humanistas imbuídas de um espírito épico que se revela nas suas características essenciais. Tencionamos demonstrar, neste trabalho, que este espírito épico preside à obra poética do jurisconsulto e humanista Manuel da Costa, através de um estudo das suas características, recursos técnicos e, sobretudo, das suas fontes secundárias, pois não há dúvida de que o conhecimento das leituras dos humanistas nos permite compreender melhor as suas preferências, quer de temas quer de géneros.

 

 

 

[Español] Se ha repetido en numerosas ocasiones que la producción poética latina en el Portugal renacentista carece de obras épicas, a pesar de que el ambiente cultural de la época parecía, en cierta forma, reclamar un poema que cantase las glorias de los descubrimientos. Aunque esta afirmación es cierta  en un sentido estricto, es preciso matizarla, dado que existen piezas poéticas humanistas imbuidas de un espíritu épico que se muestra en sus características esenciales. Pretendemos demostrar en este trabajo que la obra poética del jurisconsulto y humanista Manuel da Costa se presenta transida de ese esopíritu épico, a través de un estudio de sus caractrísticas, recursos técnicos y, sobre todo, sus fuentes secundarias, pues no cabe duda de que conocer las lecturas de los humanistas nos ayuda a comprender sus preferencias de temas y géneros.

 

 

 

[Français] L’on répète souvent que la production poétique latine au Portugal de la Renaissance manque d’oeuvres épiques, bien que le milieu culturel de l’époque semblât exiger, d’une certaine façon, un poème qui chantât les gloires des découvertes. Malgré la justesse de cette affirmation au sens stricte, il est nécessaire de la relativiser du fait qu’il existe des compositions poétiques humanistes imprégnées d’un esprit épique qui se révèle dans les caractéristiques qui lui sont essentielles. Nous prétendons, dans ce travail, démontrer que cet esprit épique domine l’oeuvre poétique du jurisconsulte et humaniste Manuel da Costa, à travers une étude sur ses caractéristiques, ses moyens techniques, et, surtout,  ses sources secondaires puisqu’il n’y a aucun doute que la connaissance des lectures des humanistes nous permet de mieux comprendre leurs préférences, de thèmes comme de genres.

 

 

 

[English] It has often been said that the Latin poetic production of Renaissance Portugal lacks epic texts, even though the cultural atmosphere of the period seemed, to a certain extent, to require a poem that praised the glories of the Discoveries. Although this judgement is valid in the strict sense, it has to be put into perspective, since there are humanistic poetic pieces imbued with an epic spirit which pervades their essential characteristics. In this article we intend to show that this epic spirit shapes the poetic work of the jurisconsult and humanist Manuel da Costa, by studying its characteristics, technical devices and, especially, its secondary sources, since it is undeniable that the knowledge of the humanists’ readings provides an insight into their preferences, both in terms of themes and genres.

 

 

 


 

 

António Andrade (Universidade de Aveiro), Demonstrativos e [ana]fóricos em latim: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 1 (1999)         155-171

 

 

 

[Português] Os pronomes latinos, designados genericamente como demonstrativos pela gramática tradicional, formam um sistema complexo, no qual cada elemento desempenha uma ou mais funções próprias e distintivas. A série deíctica/demonstrativa (hic, iste, ille) e a série fórica (is, idem, ipse) apresentam-se como os dois pilares de um sistema que se manteve, com alguma estabilidade, até ao latim tardio, período a partir do qual sofre uma reestruturação completa.

A posição central que este sistema ocupa, em latim como em outras línguas, no âmbito da actualização da referência (ego, hic et nunc), justifica que se proceda também a uma análise e reflexão sobre o tratamento da questão nas gramáticas e manuais de latim portugueses actualmente à disposição dos docentes do ensino secundário.

 

 

 

[Español] Los pronombres latinos designados genéricamente por la gramática tradicional como demostrativos forman un sistema complejo en que cada elemento desempeña una o más funciones propias y distintivas. La serie deíctica/demostrativa (hic, iste, ille) y la serie fórica (is, idem, ipse) se presentan como dos pilares de un sistema que se mantuvo, com una cierta estabilidad, hasta el latín tardío, período a partir del cual sufre una completa reestructuración.

La posición central que ocupa este sistema, tanto en latín como en otras lenguas, en el ámbito de la actualización de la referencia (ego, hic et nunc) justifica que se proceda también a un análisis y a una reflexión sobre el tratamiento de la cuestión en las gramáticas y manuales de latín portugueses actualmente a disposición de los docentes de la enseñanza secundaria.

 

 

 

[Français] Les pronoms latins, que la grammaire traditionnelle désigne par l’appellation générique de démonstratifs, forment un système complexe, dans lequel chaque élément exerce une ou plusieurs fonctions, spécifiques et distinctives. La série déictique/démonstrative (hic,iste, ille) et la série phorique (is, idem, ipse) se présentent comme les deux piliers d’un système qui s’est maintenu, avec une certaine stabilité, jusqu’au latin tardif, période à partir de laquelle elle subit une restructuration complète.

La position centrale que ce système occupe, en latin comme dans d’autres langues, dans le domaine de l’actualisation de la référence (ego, hic et nunc), justifie, en outre, l’élaboration d’une analyse et d’une réflexion sur la question, dans les grammaires et les manuels de latin en portugais qui se trouvent actuellement à la disposition des professeurs de l’enseignement secondaire.

 

 

 

[English] Latin pronouns, usually referred to as demonstratives in traditional grammars, make up a complex system in which each element accomplishes one or more individual and distinctive functions. The deictic/demonstrative series (hic, iste, ille) and the phoric series (is, ide, ipse) constitute the two pillars of a system which remained somewhat stable until the late Latin period, after which it underwent a complete restructuration.

The central position held by this system in both Latin and other languages as far as reference is concerned (ego, hic et nunc), justifies the analysis and reflection about the ways in which the question is dealt with in the Portuguese grammars and coursebooks which are currently available for secondary school teachers.

 

 


 

Correspondência:

        Ágora. Estudos Clássicos em Debate

        Departamento de Línguas e Culturas

        Universidade de Aveiro

        3810-193 Aveiro - Portugal

                       

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