Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000)

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Índice:

Jacyntho Lins Brandão, As Musas ensinam a mentir (Hesíodo, Teogonia, 27-28)

7

Olimar Flores Júnior, PARACARATTEIN TO NOMISMA ou as várias faces da moeda

21

Maria Helena de Teves Costa Ureña Prieto, Uma novela ecologista na Grécia antiga

33

Carlos Morais, As mnemónicas no ensino do Grego em Portugal (sec.s XVIII e XIX)

45

Carlos de Miguel Mora, Serpens torquens: um tipo especial de hipérbato em latim

101

Isabel Graça, Patronato e clientelismo sob o olhar crítico de Juvenal

121

João Manuel Nunes Torrão, Os prólogos de João de Barros: defesa de conceitos com tributo à antiguidade

137

Emília M. Rocha de Oliveira, A Arte Poética de Horácio por Pedro José da Fonseca

155

Pedro Correa Rodríguez, Fernando de Herrera: poesía "elegidia" clásica y elegía renacentista

185

Mafalda Frade, Olhares Contemporâneos sobre o Império Romano: Domiciano de José Martins Garcia

213

Resumos (português, español, français, english)

239

   
Recensões 255
Américo da Costa Ramalho, Para a história do Humanismo em Portugal III (Carlos de Miguel Mora) 257
Terêncio, Formião (Carlos de Miguel Mora) 260
Eurípides, Ifigénia em Áulide (Maria Fernanda Brasete) 262
Teofrasto, Os Caracteres (Maria Fernanda Brasete) 263
Aristóteles, Retórica (Rui Duarte) 264
Alberto Bernabé, Manual de crítica textual y edición de textos griegos (Rui Duarte) 267
António Maria Martins Melo (coord.), Actas do I Congresso Internacional (António Andrade) 271
Actas do I Congresso da APEC «Raízes Greco-Latinas da Cultura Portuguesa» (António Andrade) 275
António Afonso Borregana, Gramática Latina (António Andrade / António Gonçalves) 276
Adriana Freire Nogueira, As Quase Verdadeiras Aventuras de Hércules (Isabel Graça) 279
Jostein Garden, A Vida é Breve (Emília Oliveira) 283
José Leon Machado, O Guerreiro Decapitado (Emília Oliveira) 286
Colleen McCullough, A Canção de Tróia (Mafalda Frade) 291
   
Notícias 295
Édipo em Paris 297
O Amor de Fedra 299
Moedas do Mundo Romano 300
III Colóquio Clássico 301
Symposium Classicum I Bracarense 303
Doutoramentos em Estudos Clássicos na Universidade de Aveiro 304
Estudos Clássicos em Portugal 304
Internet 306
Plutarco Educador da Europa 308

 

 

Resumos:

 

Jacyntho Lins Brandão (Universidade Federal de Minas Gerais), As musas ensinam a mentir (Hesíodo, Teogonia, 27-28): Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 7-20

 

 

 

 

 

[Português] Este estudo trata dos versos 27-28 da Teogonia de Hesíodo, explorando as possibilidades de interpretação do que declaram as Musas ao poeta e buscando entender o estatuto do pseûdos que elas reivindicam para a esfera de sua competência enquanto deusas. O trecho é aproximado das declarações homéricas relativas tanto às Musas, quanto às Sereias, bem como de variante da fórmula de Hesíodo aplicada a Ulisses (Odisséia 19. 203). Conclui-se que a questão da verdade e da mentira já se apresenta como complexa, exigindo do ouvinte/leitor o necessário discernimento.

 

 

 

 

 

[Español] Este estudio se centra en los versos 27-28 de la Teogonía de Hesíodo, explorando las posibilidades de interpretación de lo que declaran las Musas al poeta e intentando comprender el estatuto del pseûdos que éstas reivindican para la esfera de su competencia como diosas que son. Se realiza una aproximación del fragmento a las declaraciones homéricas relativas tanto a las Musas como a las Sirenas, así como a la variante de la fórmula de Hesíodo aplicada a Ulises (Odisea 19. 203). Se llega a la conclusión de que la cuestión de la verdad y de la mentira ya se presenta de manera compleja, exigiendo del oyente/lector el discernimiento necesario.

 

 

 

 

[Français] Partant des vers 27-28 de la Théogonie d’Hésiode, nous prétendons exploiter les différentes possibilités d’interprétation du dialogue que les Muses établissent avec le poète et chercher à comprendre le statut du pseûdos qu’elles revendiquent de droit puisque faisant partie de leur compétence en tant que déesses. Nous établissons un rapprochement entre l’extrait et les déclarations homériques se rapportant aux Muses et aux Sirènes, d’une part, et la variante de la formule d’Hésiode appliquée à Ulysse (Odyssée 19.203), d’autre part. Nous concluons que la question de la vérité et du mensonge est complexe, et qu’elle exige de la part du auditeur/lecteur une certaine capacité de discernement.

 

 

 

 

[English] This study deals with lines 27-28 from Hesiod’s Theogony and attempts to analyse the possibilities of interpretation of what the Muses declare to the poet by seeking to understand the status of the pseûdos that they claim as their realm of competence as goddesses. The excerpt is similar to Homer’s statements concerning both the Muses and the Mermaids, as well as a variant of Hesiod’s formula as applied to Ulysses (Odyssey 19.203). It can be concluded that the boundary separating truth from lie is already presented as a complex one, demanding sound judgement from the hearer/reader.

 

 

 

 


 

 

 

 

Olimar Flores Júnior (Universidade Federal de Minas Gerais), PARACARATTEIN TO NOMISMA ou as várias faces da moeda: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 21-32

 

 

 

 

[Português] Este artigo tem por objetivo comentar o episódio da "falsificação da moeda", relatado por Diógenes Laércio (D.L. 6. 20-21) na sua exposição sobre a vida e o pensamento de Diógenes Cínico, buscando demonstrar que a diversidade das versões apresentadas exemplifica, de modo privilegiado, a constituição da tradição cínica.

 

 

 

 

[Español] Este artículo tiene como objetivo comentar el episodio de la “falsificación de la moneda” relatado por Diógenes Laercio (D. L. 6. 20-21) en su exposición sobre la vida e el pensamiento de Diógenes Cínico, intentando demostrar que la diversidad de las versiones presentadas ofrece un privilegiado ejemplo de la constitución de la tradición cínica.

 

 

 

 

[Français] Cet article a pour objectif de commenter l’épisode de la “falsification de la monnaie”, raconté par Diogène Laërce (D. L. 6. 20-21) dans son exposé sur la vie et la pensée de Diogène le Cynique, cherchant à démontrer que la diversité des versions présentées exemplifie, de façon privilégiée, la constitution de la tradition cynique.  

 

 

 

 

[English] This article aims to comment on the “coin forgery” episode narrated by Diogenes Laertius (D.L. 6. 20-21) in his account on the life and thought of Diogenes the Cynic, seeking to prove that the diversity of the versions provided fully illustrates the constitution of the cynic tradition.

 

 

 

 


 

 

 

 

Maria Helena de Teves Costa Ureña Prieto (Universidade de Lisboa), Uma novela ecologista na Grécia antiga::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 33-44

 

 

 

 

[Português] Não foram os Gregos que inventaram a ciência da ecologia (embora a palavra tenha origem na língua grega), mas os seus filósofos levantaram o problema das relações dos seres vivos entre si e com o ambiente. É neste fundo de preocupações ecológicas que se situa uma história romanesca e rústica, intitulada Diálogo da Eubeia de Díon de Prusa (filósofo cínico-estóico do séc. I d. C.), onde o autor faz a apologia da vida no meio da natureza e de acordo com esta.

 

 

 

 

[Español] No inventaron los griegos la ciencia de la ecología (aunque la palabra tenga su origen en la lengua griega), pero sus filósofos suscitaron el problema de las relaciones de los seres vivos entre sí e con el ambiente. En este fondo de preocupaciones ecológicas se sitúa una historia novelesca y rústica titulada Euboico de Dión de Prusa (filósofo cínico-estoico del s. I d. C.), donde el autor realiza una apología de la vida en el seno de la naturaleza y de acuerdo con ella.

 

 

 

 

[Français] Bien que les philosophes grecs aient soulevé, pour la première fois, la question des relations entre les êtres vivants et du contact de ceux-ci avec l’environnement, ce ne sont pas eux qui ont inventé la science de l’écologie (le terme étant, néanmoins, d’origine grecque). Ainsi, l’histoire romanesque et rustique du Dialogue de l’Eubée de Dion de Pruse (philosophe cynique-stoïcien du Ier siècle après Jésus Christ), appartient à ce domaine de préoccupations écologiques puisque l’auteur défend la vie au sein de la nature et en communion avec celle-ci

 

 

 

 

[English] It wasn’t the Greeks who invented the science of ecology (although the word is of Greek origin), but their philosophers have raised the issue of the relationship of all living things among themselves and with the environment. It is within this realm of ecological concern that the rustic romanesque story Euboean by Dio of Prusa (a cynic-stoic philosopher from the 1st century after Christ), where the author praises life in harmony with nature, is situated.

 

 

 

 


 

 

 

 

Carlos Morais (Universidade de Aveiro), As mnemónicas no ensino do Grego em Portugal (sec.s XVIII e XIX)::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 45-100

 

 

 

 

[Português] Ao elaborar o seu Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal (Paris/Lisboa 1760), João Jacinto de Magalhães (1722-1790) recriou mais de uma centena das mnemónicas das gramáticas de Grego de Lancelot (Abregé e Méthode).

Neste artigo, o autor pretende demonstrar que estas regras versejadas de Magalhães, que se enquadravam na nova metodologia de ensino instaurada pela Reforma Pombalina, foram um precioso auxiliar na aprendizagem do Grego em Portugal, durante mais de um século, quer através da sua gramática que teve duas edições (1760, 1814), quer através de outros compêndios que as adoptaram, por vezes com ligeiras adaptações, ou até recriaram.

 

 

 

 

[Español] Al elaborar su Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal (Paris/Lisboa 1760), João Jacinto de Magalhães (1722-1790) recreó más de un centenar de las mnemónicas de las gramáticas de Griego de Lancelot (Abregé y Méthode).

En este artículo, el autor pretende demostrar que estas reglas versificadas de Magalhães, que se encuadraban en la nueva metodología de enseñanza instaurada por la Reforma Pombalina, constituyeron una preciosa ayuda en el aprendizaje del griego en Portugal durante más de un siglo, bien a través de su gramática, que tuvo dos ediciones (1760, 1814), bien a través de otros compendios que las adoptaron, a veces con ligeras alteraciones, o hasta recrearon.

 

 

 

 

[Français] Lors de l’élaboration de son Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal (Paris/Lisbonne 1760), João Jacinto de Magalhães (1722-1790) recréa plus d’une centaine des mnémoniques des grammaires de Grec de Lancelot (Abrégé et Méthode).

Dans cet article, l’auteur prétend démontrer que ces règles rimées de Magalhães, qui s’insèrent dans la nouvelle méthodologie d’enseignement instaurée par la Réforme Pombaline, furent d’une aide précieuse dans l’apprentissage de grec au Portugal, pendant plus de deux siècles, soit à travers sa grammaire qui a eu deux éditions (1760, 1814), soit à travers d’autres abrégés qui les ont adaptées, parfois avec de légères adaptations, ou qui les ont même recréées.

 

 

 

 

[English] When writing his Novo Epitome da Grammatica Grega de Porto-Real, composto na lingoa Portugueza, para uso das novas escolas de Portugal (Paris/Lisbon 1760), João Jacinto de Magalhães (1722-1790) has recreated more than one hundred of the mnemonics included in Lancelot’s Greek grammars (Abrégé and Méthode).

In this article, the author intends to show that these versified rules by Magalhães, in accordance with the new teaching method introduced by Pombal’s Reform, have constituted an important aid in the learning of Greek in Portugal for more than a century, either through the author’s own grammar that had two editions (1760, 1814) or by means of other compendiums that have adopted them - at times with slight adaptations  - or even recreated them.

 

 

 

 


 

 

 

 

Carlos de Miguel Mora (Universidade de Aveiro), Serpens torquens: um tipo especial de hipérbato em latim: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 101-120

 

 

 

 

[Português] Após a revisão do tratamento que a figura do hipérbato mereceu desde a Antiguidade até aos nossos dias, podemos constatar que os comentadores que abordaram a sua análise o fizeram sempre da perspectiva de três critérios diferentes: um exclusivamente retórico, outro morfossintáctico e um terceiro estilístico. Se os dois primeiros permitem uma classificação até a um certo ponto fechada dos tipos da dita figura, resulta porém claro que o terceiro só pode ser descritivo dos efeitos de estilo produzidos em cada ocorrência, e que só permitirá uma classificação enquanto esta seja aberta. No seguimento deste critério e com o apoio de algumas considerações efectuadas pelos poetólogos renascentistas a propósito da dispositio, pode-se conjecturar a existência de um tipo de hipérbato especializado que seja para esta figura o que a onomatopeia é para a aliteração, isto é, que permita a representação sensível do conteúdo por meio da forma. Alguns exemplos tirados do Culex da Appendix Vergiliana e da Pharsalia de Lucano demonstram que este tipo especializado de hipérbato existe realmente na literatura latina.

 

 

 

 

[Español] Después de repasar el tratamiento que la figura del hipérbaton ha merecido desde la Antigüedad hasta nuestros días, podemos constatar que los comentaristas que han abordado su análisis lo han hecho siempre desde la perspectiva de tres criterios diferentes: uno exclusivamente retórico, otro morfosintáctico y un tercero estilístico. Si los dos primeros permiten una clasificación hasta cierto punto cerrada de los tipos de dicha figura, resulta claro que el tercero únicamente puede ser descriptivo de los efectos de estilo producidos en cada ocurrencia, y que sólo permitirá una clasificación en tanto que ésta sea abierta. Siguiendo este criterio y apoyándose en algunas consideraciones efectuadas por los poetólogos renacentistas a propósito de la dispositio, se puede conjeturar la existencia de un tipo de hipérbaton especializado que sea para esta figura lo que la onomatopeya para la aliteración, es decir, que permita la representación sensible del contenido por medio de la forma. Algunos ejemplos tomados del Culex de la Appendix Vergiliana y de la Pharsalia de Lucano demuestran que este tipo especializado de hipérbaton existe realmente en la literatura latina.

 

 

 

 

[Français] Vu le différent traitement auquel a été soumis la figure de l’hyperbate de l’Antiquité à nos jours, nous pouvons constater que les commentateurs qui procédèrent à son analyse le firent toujours suivant une perspective à trois dimensions: l’une exclusivement rhétorique, l’autre morpho-syntaxique et la troisième stylistique. Si les deux premières permettent d’établir une classification quelque peu fermée des types de la figure, il est évident que la troisième ne peut qu’être descriptive des effets de style produits dans chaque occurence, et qu’elle ne permettra une classification que si la figure est ouverte. Dans ce sens-là, et avec l’aide de certaines considérations effectuées par les poétologues de la Renaissance à propos de la dispositio, nous pouvons présumer qu’il existe un type d’hyperbate spécialisé qui représente pour cette figure ce que l’onomatopée représente pour l’allitération, c’est-à-dire qui permet la représentation sensible du contenu au moyen de la forme. Certains exemples extraits du Culex de l’Appendix Vergiliana et de la Pharsalia de Lucain démontrent que ce type spécialisé d’hyperbate existe réellement dans la littérature latine.

 

 

 

 

[English] After a survey of the ways in which the figure of hyperbaton has been dealt with from Antiquity to present times, it can be noticed that the commentators that have approached the subject have based their considerations on three criteria, namely rhetorical, morphological-syntactic and stylistic. Whereas the first two allow, to a certain extent, a closed classification of the distinct figure types, it is obvious that the third can only have descriptive value when applied to the stylistic effects achieved by each single occurrence, only allowing an open classification. By adopting this criterion and taking into account some considerations made by Renaissance poeticians on the dispositio, we can conjecture about the existence of a specialised type of hyperbaton, following the onomatopoeia-alliteration pattern, that is allowing the material representation of content through form. A few examples taken from the Culex of the Appendix Vergiliana and from Lucan’s Pharsalia prove that this type of hyperbaton really exists in Latin literature.

 

 

 

 


 

 

 

 

Isabel Graça (Universidade de Aveiro – PRAXIS XXI), Patronato e clientelismo sob o olhar crítico de Juvenal: Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 121-136

 

 

 

 

[Português] Perpassando aspectos pontuais das relações de patronato e clientelismo desde as origens de Roma ao período republicano, centra-se o presente trabalho na apresentação de algumas particularidades das vivências diárias dos clientes da Roma imperial, tendo por base o olhar crítico do poeta Juvenal. É com profunda e manifesta ironia que o autor satiriza diversos aspectos relativos às obrigações e proveitos do estatuto de cliente, a saber: por um lado, as andanças extenuantes pelas ruas de Roma, com vista à prestação da salutatio matinal, e a acérrima competição pela detenção da espórtula, disputada à porta de casa do patrono quer pelos clientes mais pobres, quer por libertos enriquecidos e até mesmo por magistrados; por outro lado, os benefícios auferidos, que consistem na atribuição da já referida espórtula e na ocasionalidade de uma refeição em casa do patrono, sempre parca em quantidade e em qualidade. São estes alguns dos aspectos que, segundo Juvenal, desencadeiam atitudes de indignação, desespero e rebelião por parte daqueles que, do ponto de vista social, se encontram na dependência de outrem.

 

 

 

 

[Español] Pasando a través de aspectos puntuales de las relaciones de patronato y clientelismo desde los orígenes de Roma hasta el período republicano, el presente trabajo se centra en la presentación de algunas particularidades de las vivencias diarias de los clientes de la Roma imperial, basándose en la mirada crítica del poeta Juvenal. El autor satiriza con profunda y manifiesta ironía diversos aspectos que se refieren a las obligaciones y beneficios del estatuto de cliente. Es decir, por un lado las andanzas agotadoras por las calles de Roma para la prestación de la salutatio matinal y la acérrima competencia por la obtención de la espórtula, disputada en la puerta de casa del patrono tanto por los clientes más pobres como por los libertos enriquecidos, y hasta por los magistrados; por otro lado, los beneficios conseguidos, que consisten en la atribución de la ya referida espórtula y en una eventual comida en casa del patrono, siempre escasa en cantidad y en calidad. Son estos algunos de los aspectos que, según Juvenal, desencadenan actitudes de indignación, desespero y rebelión por parte de los que, desde el punto de vista social, se encuentran en dependencia de otro.

 

 

 

 

[Français] Passés certains aspects précis des relations du patronat et de la clientèle de l’origine de Rome à la période républicaine, ce travail se base sur la présentation de certaines particularités de la vie quotidienne des clients de la Rome impériale, partant de la vision critique du poète Juvenal. C’est avec grande ironie que l’auteur satirise différents aspects concernant les obligations et les avantages du statut de client, à savoir: d’une part, les promenades exténuantes dans les rues de Rome, pour effectuer la salutatio matinale, et la compétition acharnée pour l’obtention d’un pourboire, disputée à la porte de la maison du patronat aussi bien par les clients les plus pauvres, que par des affranchis enrichis et même des magistrats; d’autre part, les bénéfices obtenus, qui consistent en l’attribution du pourboire déjà cité et en l’éventualité d’un repas chez le patron, toujours garantie de quantité et de qualité. Ce sont ces quelques aspects qui, selon Juvenal, déchaînent des attitudes d’indignation, de désespoir et de rébellion de la part de ceux qui, du point de vue social, se trouvent sous la dépendance d’autrui.

 

 

 

 

[English] After an overview of selected aspects of the relationship of patronage and clientele since the origins of Rome up to the republican period, this article focuses on the daily experience of clients in imperial Rome, as presented by Juvenal’s critical eye. It is with deep and unashamed irony that the author satirises several aspects concerning the obligations and privileges implied by the status of client: on the one hand, the extenuating wandering through the streets of Rome in order to pay the morning salutatio and the fierce competition for the tip at the patron’s door involving poorer clients, wealthy freedmen and even magistrates; on the other, the benefits conquered which comprised both the tip and a scarce and poor quality occasional meal at the patron’s house. These are some of the aspects which, according to Juvenal, bring about attitudes of despair, indignation and rebellion from those who, from a social standpoint, are dependent on another.

 

 

 

 


 

 

 

 

João Manuel Nunes Torrão (Universidade de Aveiro), Os prólogos de João de Barros: defesa de conceitos com tributo à antiguidade::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 137-154

 

 

 

 

[Português] João de Barros, óptimo conhecedor da antiguidade clássica, serve-se dos prólogos às Décadas da Ásia para defender uma série de conceitos e de posições que lhe pareciam adequadas ao seu tempo e às suas concepções históricas, mas não deixa de apresentar toda uma série de referências à literatura latina e à literatura grega que demonstram de forma clara não só que domina estas literaturas mas também que adopta, muitas vezes, conceitos que já tinham sido apresentados pelos autores clássicos.

 

 

 

 

[Español] João de Barros, excelente conocedor de la Antigüedad clásica, se sirve de los prólogos a las Décadas de Asia para defender una serie de conceptos y de posiciones que le parecían adecuadas a su tiempo y a sus concepciones históricas, pero no por ello deja de presentar toda una serie de referencias a la literatura latina y a la literatura griega que demuestran claramente no sólo que domina estas literaturas, sino también que adopta muchas veces conceptos que ya habían sido presentados por los autores clásicos.

 

 

 

 

[Français] João de Barros, parfait connaisseur de l’antiquité classique, se sert des prologues aux Décadas da Ásia pour défendre une série de concepts et de positions qui lui paraissaient adaptés à son temps et à ses conceptions historiques, sans cesser, toutefois, d’établir toute une série de références à la littérature latine et à la littérature grecque qui démontrent clairement qu’il domine celles-ci, mais aussi qu’il adopte, très souvent, des concepts qui avaient déjà été présentés par les auteurs classiques.

 

 

 

 

[English] João de Barros who had an excellent knowledge of Classical Antiquity uses the prologues in Décadas da Ásia to put forward several concepts and positions that seemed adequate to his time and historical conceptions, but never refrains from including an array of references to both Latin and Greek literature that clearly show that not only is he familiar with these works but he also often adopts concepts that had been used by classical authors.

 

 

 

 


 

 

 

 

Emília M. Rocha Oliveira (Universidade de Aveiro – PRAXIS XXI), A Arte Poética de Horácio por Pedro José da Fonseca::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 155-183

 

 

 

 

[Português] Entre os diversos estudiosos portugueses que, na última metade do século XVIII, traduziram e comentaram a Arte Poética de Horácio, a escolha da autora recaiu sobre o pedagogo Pedro José da Fonseca. Mais do que demonstrar a importância de Horácio na teorização poética de setecentos em Portugal, este trabalho tem como objectivo primeiro provar que a Arte Poetica de Q. Horacio Flacco (...) Traduzida em portuguez e illustrada com escolhidas notas dos antigos e modernos interpretes e com hum commentario critico sobre os preceitos poeticos, liçoes varias, e intelligencia dos lugares difficultosos teve o mérito de revelar ao público português os princípios poéticos horacianos e de, simultaneamente, compendiar o corpus doutrinário do neoclassicismo português. Partindo da análise de excertos do texto de Fonseca, são variados os topoi literários abordados, a saber: a concepção da poesia como imitação da natureza, a dialéctica engenho/arte, a imitação dos modelos greco-latinos, a incansável demanda da perfeição estético-literária, a observância do decorum e a dimensão social da literatura.

 

 

 

 

[Español] De entre los diversos estudiosos portugueses que, en la última mitad del siglo XVIII, tradujeron y comentaron el Arte Poética de Horacio, la elección de la autora recayó sobre el pedagogo Pedro José da Fonseca. Más que demostrar la importancia de Horacio en la teorización poética del Settecento en Portugal, este trabajo se propone, en primer lugar, probar que el Arte Poetica de Q. Horacio Flacco (…) Traduzida em portuguez e illustrada com escolhidas notas dos antigos e modernos interpretes e com hum commentario critico sobre os preceitos poeticos, liçoes varias, e intelligencia dos lugares difficultosos tuvo el mérito de revelar al público portugués los principios poéticos horacianos y de, al mismo tiempo, compendiar el corpus doctrinal del neoclasicismo portugués. Partiendo del análisis de fragmentos extraídos del texto de Fonseca, se abordan variados topoi literarios; en concreto, la concepción de la poesía como imitación de la naturaleza, la dialéctica ingenio/arte, la imitación de los modelos greco-latinos, la incansable exigencia de perfección estético-literaria, la observancia del decorum y la dimensión social de la literatura.

 

 

 

 

[Français] Parmi les diverses études portugaises qui, pendant la deuxième moitié du XVIIIe siècle, traduisirent et commentèrent l’Art Poétique d’Horace, le choix de l’auteur a incidé sur le pédagogue Pedro José da Fonseca. L’objectif n’est pas exclusivement de démontrer l’importance d’Horace dans la théorisation poétique du XVIIIe siècle au Portugal, ce travail vise surtout à prouver que Arte Poetica de Q. Horacio Flacco (...) Traduzida em portuguez e illustrada com escolhidas notas dos antigos e modernos interpretes e com hum commentario critico sobre os preceitos poeticos, lições varias, e com intelligencia dos lugares difficultosos a eu le mérite de révéler au public portugais les principes poétiques horaciens et de, simultanément, abréger le corpus doctrinaire du néoclassicisme portugais. Partant de l’analyse d’extraits du texte de Fonseca, les topoi littéraires abordés sont variés, à savoir: la conception de la poésie comme imitation de la nature, la dialectique esprit/art, l’imitation des modèles gréco-latins, l’infatigable demande de perfection esthético-littéraire, l’observance du décorum et la dimension sociale de la littérature.

 

 

 

 

[English] Among the several Portuguese authors that, in the second half of the 18th century, have translated and commented on Horace’s Art of Poetry, the author of this article has chosen the pedagogue Pedro José da Fonseca. Apart from illustrating the importance of Horace in the poetic theory of seventeenth-century Portugal, this study aims to prove that the Arte Poetica de Q. Horacio Flacco (...) Traduzida em portuguez e illustrada com escolhidas notas dos antigos e modernos interpretes e com hum commentario critico sobre os preceitos poeticos, liçoes varias, e intelligencia dos lugares difficultosos was the first work to reveal to the Portuguese public Horace’s poetic principles and, at the same time, to epitomise the neo-classical doctrine in Portugal. Through the analysis of excerpts taken from Fonseca’s text several literary topoi will be discussed: the conception of poetry as an imitation of nature, the dialectic skill/art, the imitation of Greek and Latin models, the relentless search for literary and aesthetic perfection, the observance of decorum and the social dimension of literature.

 

 

 

 


 

 

 

 

Pedro Correa Rodríguez (Universidade de Granada), Fernando de Herrera: poesía “elegidia” clásica y elegía renacentista::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 185-211

 

 

 

 

[Português] Ao analisar o conteúdo do comentário herreriano a Garcilaso, as Anotaciones, podemos chegar a interessantes conclusões. A primeira delas é que, sob a forma de comentário, o humanista sevilhano desenvolveu na verdade um tratado de poética centrado na poesia elegíaca, talvez porque se encontrasse ao mesmo tempo a trabalhar na sua tantas vezes anunciada Arte poética. Da mesma maneira, podemos apreciar os profundos e extensos conhecimentos herrerianos não só da métrica e dos autores clássicos, dos quais realiza acertadíssimas análises críticas, mas também de italianos e espanhóis. É igualmente notável a constatação da influência que sobre ele exerceu o tratado de poética latina de Júlio César Escalígero, de onde tira ideias e referências clássicas, sem deixar nunca de mostrar essa extraordinária capacidade para sintetizar as numerosas fontes de que se serve. Não menos interessante é a relação epistolar que, a partir de referências extraídas da sua elegia a Camões, se pode supor que existiu entre Herrera e o poeta lusitano.

 

 

 

 

[Español] Analizando el contenido del comentario herreriano a Garcilaso, las Anotaciones, se puede llegar a interesantes conclusiones. La primera de ellas, que bajo la forma de comentario el humanista sevillano desarrolló en realidad un tratado de poética centrado en la poesía elegíaca, tal vez porque se encontraba al mismo tiempo trabajando en su tantas veces anunciada Arte poética. De igual forma podemos apreciar los profundos y extensos conocimientos herrerianos no sólo de la métrica y de los autores clásicos, de los que realiza acertadísimos análisis críticos, sino también de italianos y españoles. Es igualmente notable la constatación de la influencia que sobre él ejerció el tratado de poética latina de Julio César Escalígero, de donde toma ideas y referencias clásicas, sin dejar nunca de mostrar esa extraordinaria capacidad para hacer síntesis de las numerosas funentes que maneja. No menos interesante es la relación epistolar que, a partir de referencias extraídas de su elegía a Camoens, se puede suponer que existió entre Herrera y el poeta lusitano.

 

 

 

 

[Français] D’intéressantes conclusions peuvent être tirées de l’analyse du commentaire d’Herrera à Garcilaso, les Annotations. La première est que, sous la forme de commentaire, l’humaniste de Séville a, en vérité, développé un traité de poétique centré sur la poésie élégiaque, sans doute parce qu’il travaillait en même temps à son Art poétique tant de fois annoncé. Nous pouvons également apprécier les vastes connaissances d’Herrera, non seulement en ce qui concerne la métrique et les auteurs classiques, dont il effectue des analyses critiques très subtiles, mais aussi d’auteurs italiens et espagnols. Il est tout aussi remarquable de pouvoir constater l’influence que le traité de poétique latine de Jules César Scaliger a eu sur lui, il y puise idées et références classiques, sans cesser de montrer cette capacité extraordinaire de synthèse des innombrables sources dont il se sert. Non moins intéressante reste, sans doute, la relation épistolaire que, à partir des références venant de l’élégie de Camões, l’on peut imaginer avoir existé entre Herrera et le poète lusitain.

 

 

 

 

[English] Interesting conclusions can be drawn from the analysis of Herrera’s commentary on Garcilaso, the Anotaciones. The first one is that, rather than a commentary, the Seville humanist has in fact composed a treatise on poetics focusing on elegiac poetry, maybe because he was concomitantly working on his much announced Art of Poetry. Similarly, we can assess Herrera’s  deep and wide knowledge not only of classical authors and metre, about which he provides insightful remarks, but also of Italian and Spanish authors. He was also largely influenced by Julius Caesar Scaliger treatise on Latin poetics from which he draws ideas and classical references always displaying extraordinary ability to synthesise the numerous sources he resorts to. The supposed epistolary relationship between Herrera and Camões supported by references contained in the elegy he addresses to Camões is also of great interest.

 

 

 

 


 

 

 

 

Mafalda Frade (Universidade de Aveiro – PRAXIS XXI), Olhares Contemporâneos sobre o Império Romano: Domiciano de José Martins Garcia::Ágora. Estudos Clássicos em Debate 2 (2000) 213-238

 

 

 

 

[Português] Com a obra dramática Domiciano, José Martins Garcia percorre algumas memórias de Suetónio sobre a dinastia Flávia e os acontecimentos que rodearam o governo dos imperadores que a integraram. Prefere, contudo, e como o título da obra indica, debruçar-se em maior profundidade sobre a personalidade de Domiciano, dando especial relevância às características despóticas deste imperador que a tradição histórica e biográfica consolidou. Esta opção encontra-se intimamente ligada ao objectivo central do autor: analisar o passado para lançar olhares críticos sobre o mundo de hoje, transformando a obra num documento de denúncia social. Assim sendo, por toda a obra perpassam símbolos do mundo de hoje, mascarados por palavras e cenários que retratam o mundo antigo, como forma de revelar que as atitudes, vícios e erros do passado continuam a ressurgir na actualidade.

 

 

 

 

[Español] Con la obra dramática Domiciano, José Martins Garcia repasa algunas memorias de Suetonio sobre la dinastía Flavia y los acontecimientos que rodearon el gobierno de los emperadores que la integraron. Sin embargo, tal como indica el título de la obra, prefiere tratar con mayor profundidad la personalidad de Domiciano, dando especial relevancia a las características despóticas de este emperador que fueron consolidadas por la tradición histórica y biográfica. Esta opción se encuentra íntimamente conectada al abjetivo central del autor: analizar el pasado para lanzar una mirada crítica sobre el mundo de hoy, transformando la obra en un documento de denuncia social. Por esta razón se halla la obra sembrada de símbolos del mundo de hoy, enmascarados por palabras y escenarios que retratan el mundo antiguo, como forma de revelar que las actitudes, vicios y errores del pasado continúan resurgiendo en la actualidad.

 

 

 

 

[Français] Avec l’oeuvre dramatique Domiciano, José Martins Garcia évoque quelques mémoires de Suétone sur la dynastie flavienne et les événements sous-jacents au gouvernement des différents empereurs qui l’intégrèrent. Il préfère, toutefois, et comme le titre lui-même l’indique, s’intéresser plus spécifiquement à la personnalité de Domitien, en donnant une valeur spéciale aux caractéristiques despotiques de cet empereur que la tradition historique et biographique a consolidées. Cette option est intimement liée à l’objectif central de l’auteur: analyser le passé pour jeter des regards critiques sur le monde d’aujourd’hui, en transformant l’oeuvre en un document de dénonciation sociale. Ainsi, des symboles du monde actuel traversent toute l’oeuvre, masqués sous des mots et des scénarios qui retracent le monde ancien, afin de révéler que les attitudes, les vices et les erreurs du passé continuent à ressurgir dans l’actualité.

 

 

 

 

[English] With the play Domiciano, José Martins Garcia surveys some of Suetonius’s memories on the Flavian dynasty and the events surrounding its emperors. However, he prefers, as the title itself shows, to focus on Domitian’s personality, emphasising the emperor’s despotic characteristics that have been handed down by historical and biographical tradition. This option is closely linked with the author’s main objective: analysing the past to provide a critical insight into the contemporary world, thereby turning the play into a social document. Thus, contemporary symbols are prevalent in the work, though strategically masked by means of words and settings that depict the ancient world in order to reveal that the attitudes, vices and faults of the past tend to reappear in modern times.

 

 

 


 

Correspondência:

        Ágora. Estudos Clássicos em Debate

        Departamento de Línguas e Culturas

        Universidade de Aveiro

        3810-193 Aveiro - Portugal

                           

 

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