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Doçaria Tradicional de Aveiro

A região de Aveiro, para além de apresentar uma variedade gastronómica de saborosos pratos tradicionais de peixe e carne, é conhecida pela diversidade e riqueza da sua doçaria, na qual se destacam os Ovos Moles, as Raivas, o Pão-de-Ló de Ovar e os Pastéis de Águeda, entre outros.

A história das respectivas receitas está envolta em mistério. A sua origem tanto é atribuída ao Convento das Carmelitas como ao Convento de Jesus. Do que parece não restarem dúvidas é de que são receitas conventuais.

Relativamente aos Ovos Moles de Aveiro, trata-se de um doce muito conhecido e bastante apreciado tanto no país como no estrangeiro. Já Eça de Queiroz, na sua obra "Os Maias", faz referência a esta iguaria:"São seis barrilinhos d’ovos moles de Aveiro. É um doce muito ‘chic’ ... Pergunte V. Exª ao Carlos. Pois não é verdade, Carlos, que é uma delícia, até conhecido lá fora?"

Apesar da evolução dos tempos, e consequente modernização das práticas e técnicas de fabrico, ainda é possível encontrar locais em que a receita original e os processos de confecção desta iguaria não se alteraram. Aí, são os pequenos detalhes, como o uso do forno a lenha, a panela de cobre, o uso de taças de barro e a colher de pau, que dão o verdadeiro sabor aos Ovos Moles.

O seu fabrico engloba uma série de passos, que vão desde a separação das gemas das claras, à preparação de uma mistura de água e açúcar à qual se juntam os ovos ( e é aqui que reside o segredo). O passo seguinte é o enchimento das formas de hóstia. Os motivos dos moldes destas formas são ancestrais (peixes, conchas, búzios e barricas) e estão ligados à ria e ao meio piscatório de Aveiro. Os feitios em charuto e nozes surgiram mais tarde, ligados às festas populares e ao Natal.

Seguidamente, as hóstias são fechadas numa caixa de madeira, prensadas e depois recortadas, sendo depois colocadas numa estufa para secarem e adquirirem uma certa consistência. Por fim, os Ovos Moles levam um banho de calda de açúcar e água muito quente, para se conservarem.

 

As Raivas, também elas provenientes de Aveiro, possuem já uma tradição de fabrico com mais de duzentos anos. A forma característica deste biscoito é uma espécie de flor desajeitada.

Os ingredientes desta receita conventual são a farinha, os ovos, a manteiga e o açúcar. Apesar de parecerem de fácil confecção, as Raivas exigem uma experiência de longa data na sua execução, para assim manterem o sabor e a forma, que tão bem as distingue.

 

Quanto ao Pão-de-Ló de Ovar, a sua história tem mais de três séculos: a primeira referência documental do Pão-de-Ló de Ovar data de 1781, nas actas da Irmandade dos Passos, como tendo sido o doce oferecido aos Padres que levavam o andor na Procissão dos Passos.

No século XIX havia várias receitas de Pão-de-Ló que se diferenciavam bastante umas das outras. A mais característica era a que mais "Ló" apresentava, ou seja, aquela que possuía maior humidade de ovos na parte superior da borôa. Ao longo do século XX, esta iguaria foi sendo divulgada com muito sucesso por todo o país e mesmo além fronteiras.

Do processo original de fabrico do Pão-de-Ló de Ovar, ficaram apenas as formas de barro forradas a papel, tendo o restante processo sido industrializado. No entanto, esta iguaria não perdeu o seu paladar único, que o distingue dos restantes Pães-de-Ló, sobretudo pela textura cremosa que lhe é conferida pelos ovos moles.

 

Por fim, os Pastéis de Águeda, com a sua massa muito quebradiça, o interior fresco e húmido, o sabor a amêndoa e a parte superior do pastel dourada e estaladiça, continuam a ter um lugar de destaque na doçaria do distrito de Aveiro.

Embora o seu fabrico tenha sido industrializado, o doce não parece ter sofrido alterações.

Os Pastéis de Águeda são, tal como os Ovos Moles, um doce que possui um ponto de açúcar muito particular. Outro dos seus segredos reside na forma como as amêndoas são moídas, encontrando-se de tal forma dissimuladas no interior dos pastéis que, quem os saboreia, não sabe ao certo de onde provem o seu característico sabor a amêndoa.

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