Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar   Museu Etnográfico de Ovar

Museu Etnográfico de Ovar

O Museu Etnográfico de Ovar situa-se na cidade de Ovar, tal como o próprio nome indica. Esta cidade é sede de concelho e pertence ao distrito de Aveiro.

O Museu apresenta os Trajes Típicos desta região, entre outros temas da cultura popular do concelho. Encontra-se aberto ao público das 10 às 12 horas e das 14 às 18 horas, encerrando aos domingos e feriados.

 

Breve História do Museu

O Museu de Ovar integra-se num contexto cultural rico de tradições, onde os azulejos e o património artístico-religioso são predominantes. Nas suas instalações apresenta diversos trajes tradicionais de várias épocas e temas relativos ao quotidiano da população da região de Ovar. Criado em 22 de Janeiro de 1963, data em que os estatutos foram aprovados pelo Ministério da Educação, veio preencher uma lacuna que há muito se fazia sentir na região, dada a variedade e qualidade do património cultural que se encontrava disperso.

Antes de existir o Museu, com a dimensão que lhe permitiu assim ser designado, constituiu-se uma Exposição Permanente (considerada por alguns autores a "Mãe do Museu" ), onde já se mostravam algumas peças oferecidas por pessoas da terra ou então recolhidas por grupos locais de escuteiros.

Em 1970 é formada uma Comissão Auxiliadora que, através da edição e venda de medalhas, compra trajes raríssimos e os oferece ao Museu. Além do apoio desta Comissão, foi promovida uma campanha, com a colaboração do Rotary Club de Ovar, junto de outros Clubes Rotários Portugueses, através da qual se conseguiu grande número de trajes que até hoje permanecem expostos no Museu.

A cultura popular de Ovar tem sido valorizada, mesmo fora da região pela direcção do Museu, que tem organizado exposições itenerantes, nomeadamente em Trás-os-Montes, Douro e Beira Alta, e também no estrangeiro, destacando-se a exposição realizada em Le Mans, França, em 1975.

 

Salas do Museu

O Museu é composto pelas seguintes salas: a da colecção de Bonecas com trajes tradicionais de três dezenas de países, a das exposições periódicas, a das Tricanas e Lavradores, a Sala do Mar, a Cozinha Típica, a Sala do Compasso, a do Ciclo da Vida, a Sala de Apicultura, a do Tear, a das Festas e Romarias, a da Olaria e a dos Utensílios Agrícolas.

A principal atracção deste Museu é a sua exposição de trajes tradicionais da  Região de Ovar, alguns dos quais passamos a apresentar:

A Tricana de 1870

Tricana era uma qualidade de tecido, mas passou a designar-se por "Tricana" a mulher do povo que envergava uma peça de vestuário confeccionada com esse mesmo tecido.

A Tricana de 1870 era a mulher da Murtosa, normalmente filha de lavradores abastados, que caprichava quando se vestia para ir a qualquer festa popular ou à igreja.

A Tricana de 1870 vestia:

  • Saia preta de lã, pregada a toda a volta, com uma barra de veludo preto;
  • Casaquinha preta de lã, debruada a veludo preto;
  • Capoteira de Baieta – tecido de lã debruado a veludo, liso ou lavrado - muito rodada, que descia até ao joelho e se usava pelas costas;
  • Lenço branco de bobinete, com nó singelo à frente;
  • Chinelas pretas;
  • Meias brancas de algodão, rendadas e feitas à mão;

Muitas vezes a mulher vestia desta maneira no dia do casamento e essa mesma roupa servia para a acompanhar até à morada final.

 

A Tricana de 1900

Com o passar do tempo, o traje da Tricana foi sofrendo algumas alterações, acompanhando a evolução do modo de vida da população.

Esta Tricana vestia-se da seguinte forma:

  • O xaile de barra de seda substituiu a Capoteira;
  • A saia passou a ser de seda lavrada, ainda que com roda até ao tornozelo;
  • O lenço passou a ser de seda e de cor, amarrado à frente e atrás;
  • Blusa de algodão fino, com espelho e renda;
  • Meias de algodão brancas, rendadas, feitas à mão;
  • Chinelas pretas.

Quando ia para a festa, levava o xaile dobrado no braço. Quando ia para a igreja, punha-o pelas costas.

 

A Tricana de 1915

É nesta Tricana – de 1915 a 1920 – que podemos apreciar uma maior e mais rápida evolução.

A Grande Guerra de 1914-18 trouxe uma muito maior abertura do país à Europa, tendo começado a entrar em Portugal influências diversas, tanto no modo de viver, como, principalmente, na maneira de vestir.

Essa influência traduziu-se, no caso da Tricana, da seguinte forma:

  • A saia passou a ser feita de lã fina, perdendo quase toda a sua roda e subindo acima do tornozelo;
  • A blusa abotoa à frente e sem colarinho;
  • O lenço de seda passou a ser preto;
  • O xaile é de lã de merino com pontas de seda compridas;
  • As chinelas são de verniz e salto alto;
  • As meias passaram a ser de vidro.

Era um traje de festa e de cerimónias religiosas.

 

O Aldeão da Murtosa de 1816

Em toda a Província da Beira-Litoral o homem sempre trabalhou em camisa, camisola, ou às vezes em colete com as mangas da camisa arregaçadas. Quaisquer calças serviam, desde que fossem amplas. Reduzia-se ao mínimo o vestuário, o suficiente para cobrir a nudez.

O Aldeão da Murtosa não fugia a essa regra, vestindo-se da seguinte forma:

  • Manaias, também chamadas calças de quadrado, feitas de estopa ( a parte mais grosseira do linho);
  • Camisa ampla de linho;
  • Casaca de burel, ao ombro ou vestida;
  • Cinta de lã vermelha;
  • Chapéu de copa muita alta, chamado Baromba. Este era um chapéu extravagante, que servia para proteger do sol, mas, principalmente, para mostrar opulência;
  • Calçava soletas, uma espécie de sapato rudimentar.

 

A Peixeira de 1900

A pesca influenciou de maneira indelével  a vida da mulher murtoseira, principalmente aquela que tinha como marido um pescador.

Cabia-lhe a ela, na maior parte das vezes, a tarefa de fazer a venda do peixe e, descalça pelos caminhos, de chinelas nas povoações e saia ensacada para facilitar os movimentos, esta mulher não corria, voava.

A figura desta Peixeira chegou até Cacia e Águeda, depois de atravessar a Ria de barco ou bateira. A pé, passou por Estarreja, Salreu, Canelas, Fermelã e Angeja.

A Peixeira de 1900 vestia da seguinte maneira:

  • Saia de chita ou de lã, ensacada;
  • Blusa de chita;
  • Cinta preta de lã, para ensacar a saia;
  • Avental de popelina;
  • Algibeira;
  • Chapéu de varina;
  • Xaile traçado;
  • Chinelas de salto alto.

 

O Pescador de Cangalhas

A pesca, uma das principais actividades desta região, era um trabalho muito duro e, por vezes, muito pouco produtivo.

O pescador dos finais do século XIX e princípio do século XX, até cerca de 1910, vestia com a maior simplicidade, pois tinha poucas posses. A dureza do trabalho exigia que a roupa facilitasse os movimentos, tanto na faina como quando calcorreava grandes distâncias a pé para vender o produto do seu trabalho.

Vestia da seguinte forma:

  • Camisa aos quadrados de flanela com abertura até ao peito;
  • Ceroulas aos quadrados de flanela amarradas em baixo por fitas;
  • Quando ia vender, usava cinta de linho com as pontas caídas e, no trabalho, uma cinta preta de lã toda enrolada na cinta;
  • Barrete preto de lã;
  • Tamancos;
  • Saca onde guarda o dinheiro;
  • Usa cangalhas, onde transporta o peixe.

Hoje em dia estes trajes são utilizados apenas nas apresentações públicas de grupos etnográficos e folclóricos.

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